O poeta Antônio Brasileiro deve sentar na levantada de Jorge Amado e Zélia Gattai, na Academia de Letras da Bahia. Ou seja, na cadeira 27. A eleição é hoje (08), às 17 horas, e ele é o único indicado. Das duas, uma. Ou pouca gente ‘tá querendo o posto ou tem escritor de menos nas atuais letras do Estado. De qualquer forma, é a última vaga. Todos os demais lugares estão ocupados por imortais locais, velhinhos, que seguem escrevendo suas letras, para número cada vez menor de leitores. É um problema do País.
A indicação de Antônio Brasileiro é quase unânime: 11 votos dos 15 possíveis. Ruy Espinheira Filho; o presidente da ALB, Edivaldo Boaventura; Joaci Góes, recém-eleito; todos estão esperando e já contando com a companhia do companheiro Brasileiro. A academia tem 40 cadeiras. E sempre houve certa polêmica neste tipo de acolhimento e conversão. Drummond nunca quis ser imortal da Casa de Machado de Assis. João Cabral foi meio achincalhado quando resolveu vestir a beca. Já Jorge Amado vestiu a beca, mas cortou a gola. Gilberto Gil usou uma dessas como alegoria na capa do primeiro disco tropicalista, etc.
Hoje em dia parece que ninguém liga mais. Hoje em dia esse papo de imortalidade está meio morto. Não significa estar se rendendo ao ‘establishment’. Como também perdeu a graça ser poeta de praça. Ou poeta marginal. Ou mesmo ser poeta. Isso porque as letras parecem pertencer e interessar apenas aos escritores e outra meia-dúzia de gatos pingados. Enfim, Antônio Brasileiro na Academia de Letras da Bahia significa exatamente o quê? Abertura da academia? Rendição do poeta? Nenhuma das duas coisas? Ninguém sabe ao certo... Por que o mundo está mudando e todos esses signos se refazendo. Graças a Deus! Talvez não signifique nada.
fonte: bahianoticias.com.br